sábado, 31 de julho de 2010

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ode à Capitu


A Machado de Assis


Pobre homem de mente poluída!
A duras penas, o ciúme te fez
Um ébrio, louco, infeliz de vez,
Tendo a sanidade diluída...

Tua diva, musa destruída,
Já foi embora há mais de um mês.
Por mais que entendas todas as leis,
A intriga fez tua alma corroída...

Sinto pena de ti, Dom Casmurro.
Nada fez tua esposa Capitu,
Mas tua cegueira, tal qual um urro,

Transformou-te em um vilão burro.
Tirando as suspeitas do baú,
Fazes com que mereças um bom murro!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

LITERALEITURA ®


FÓRMULA: cada comprimido de LITERALEITURA ® de 100 mg contém:

Criatividade ______________________________________ 50 mg
Métrica e Rima ____________________________________10 mg
Inspiração _______________________________________ 40 mg


Informações ao paciente:

POSOLOGIA: LITERALEITURA ® pode ser tomado a qualquer hora e em qualquer qualquer lugar. Não há contra indicações. A superdosagem também não é prejudicial à saúde.

INDICAÇÕES: LITERALEITURA ® é indicado para o tratamento da coisificação do homem e insensibilidade com os absurdos do cotidiano. Se os sintomas persistirem, seu amor ao próximo e seu resquício de humanidade já estão comprometidos e o médico deverá ser consultado.

ESTE MEDICAMENTO DEVE SER MANTIDO AO ALCANCE DE CRIANÇAS

VENDA SEM PRESCRIÇÃO MÉDICA

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Monstro


Sinto-me como um monstro terrível:
Magoo as pessoas que amo e admiro.
Em meu cérebro darei um tiro
Pra me livrar dessa culpa horrível!

Vejo que sou podre e indefinível,
Os outros sofrem quando respiro.
Com minhas palavras, a todos firo.
Julgam-me fria e insensível.

Meu coração, lápide de pedra,
Eternamente incompreendido,
Se esvai em dolorida queda...

Não magoarei mais quem é querido,
Maldição de sina, pior que a lepra!
Cansei de arrependimento antigo...

sábado, 10 de julho de 2010

Palavras



Quem perde não se torna perdedor.
Adjetivas ou substantivas,
Palavras são como nós, são vivas,
Devendo ser usadas com amor.

Quem vence não se torna vencedor.
Palavras são também emotivas,
Assim, não podem ser resumidas,
Pois usam-nas, quiçá, quem tem rancor.

Palavras têm uma vida própria
Apenas são o que são, por si só.
Narram tragédia, contam história...

Entrelaçam-se por teia e nó,
Ficam sempre gravadas na memória,
E, diferentes de nós, não viram pó...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Intuito

Meus olhos, talvez, já viram muito.
Mas ainda não viram teu amor
Ser demonstrado com tanto ardor
Como é mostrado em meu intuito.

Meus olhos só viram teu rancor.
Quisera fosse ele fortuito,
Como é mostrado em meu intuito!
Ele prova, apenas, nossa dor...

E nessa nossa dor indizível,
O que resta é velha frustração,
Que mesmo que seja exprimível,

Não passa de uma abstração.
Essa nossa solidão audível,
No fim, está em outra dimensão.

Pressa Corrosiva


Forcei a fluição da ideia,
Forcei a fluência da palavra.
Por que você ainda não estava
Ao lado desta mera plebeia?

Forcei a fala de quem amava,
Forcei a fama de minha estreia
Por que me mostrei à assembleia
Ao lado de quem mais brilhava?

Roo unhas, a insônia me assola.
Ansiedade vil que me destrói,
Só porque não espero minha hora...

Mas será que a paciência constrói?!
Não vejo porquê não ir embora,
Pois essa pressa ainda corrói!