terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Evanescer sem te esquecer


Cresço
Amadureço
Peço
Teu apreço
Estremeço
Pois não te mereço
Desapareço
Mas não te esqueço

sábado, 18 de dezembro de 2010

Procura


Atravessei mares
Mil oceanos
Para te encontrar



Cortei os ares
Durante anos
Por te amar

Deixei lares
Cotidianos
Sem me fixar



Procurei pares
Corpos mundanos
Só para gozar

Bebi em bares
Com vários manos
Para disfarçar

Explorei lugares
Entrei pelo cano
Não consigo te deixar

sábado, 11 de dezembro de 2010

A Chave de Paradoxos Convexos

Para Maysa Brandão

Sou um ser complexo,
Incompleto e de paradoxos convexos,
Repleto de dúvidas e carências insaciadas,
Necessidades incompreendidas e despedaçadas.

A chave para entrar através das portas
Do meu corpo e minha alma morta
Foi jogada no fundo do mar,
Coberta por águas e areia, onde ninguém irá achar.

Jamais terei um amor correspondido,
Fato indiscutível e antigo.
Amar alguém como eu, cheia de problemas?!
Prefiro minha solidão e dilemas...

Que tragédia, que desespero é ter um estranho
Entranhado na mente e no crânio,
Ao mesmo tempo tão próximo,
Entorpecido, preso em algum lugar exótico.

Não posso aguentar tão negra história,
Não posso revelar meu passado sem glória...
Tamanho fardo sobre minhas costas
Apenas esconde minha identidade torta.

Mas a miséria terá um fim:
Um dia alguém chegará até mim
Pois a chave irá achar
Lá no fundo do mar.

Graças a minha oferenda
De gritos, ofensas,
Lágrimas noturnas, sangues alheios
Aos céus e por outros meios,

Por milhões de anos,
Minha carne já cheia de danos,
Por vermes havia sido comida
(E também por outros parasitas)

Quando meu corpo putrefado
Na torre de um castelo foi aprisionado,
Aquela criatura apareceu.
Deparou-se comigo. E morreu.

Mas para não dizer que só tive quedas,
Que meu caminho foi só de pedras,
Posso afirmar que depois de tudo
O ser se deitou comigo em meu túmulo...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Rotina de Insistência


Lavo a louça
Tomo banho
Abro a geladeira

Penso na moça
Vejo se a ganho
Fecho a torneira

Vou para a internet
Posto coisas banais
Me distraio

Tenho dezessete
Ligo a TV, mudo canais
Olho de soslaio

Durmo sozinha
Me sinto triste
No fim do dia.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Promessa é Dívida


Não te prometo joias
Não te prometo flores
Não te prometo mimos
Não te prometo roupas
Não te prometo status

Só te prometo versos
Só te prometo amor
Só te prometo atenção
Só te prometo fidelidade
Só te prometo...



Aquilo que posso dar.