quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sobre Pesos e Levezas


- Você é meio âncora, mas tem uma delicadeza de flor...

Em um desses diálogos perdidos entre madrugadas insones, você assim me descreveu. E eu me pergunto: como é possível pesar e perfumar, simultaneamente? Há tanto para ser dito; entretanto, entre metáforas e não-ditos a gente vai levando na polissemia do silêncio. Amar e calar. Será que isso é certo, ou pelo menos saudável? Amor não se mede, tampouco cabe nas entrelinhas de meras figuras de linguagem.

E se você me questionar se eu entendo o que quer dizer, confesso que sim! Eu sempre compreendo seus contextos, mensagens, quaisquer indiretas virtuais, poéticas, vocais ou até mesmo as que são apenas pensadas. Porém, sacadas não bastam. Eu proponho abrir a boca e declarar sem pudores, medos, ressentimentos, quando der. E que isso se dê com frequência. Entre nós duas, é claro. Não há necessidade de extrapolar a beleza do que é impar por ser par. E nós somos isso tudo: o nó que nos torna sublimes.

Agora parando para pensar, talvez eu esteja começando a interpretar a tal frase daquela conversa que, por mais que tenha parecido desperdiçada, nunca é. Porque conversas com você nunca são em vão. Vejo, então, que por mais que eu seja rígida e dura demais com alguns conceitos, o que me torna até rude e feia às vezes, ainda assim tenho a sorte de estar na sua vida e embelezá-la de alguma forma, nem que seja um pouco... Sou o que te mantém estável, o que te paralisa no fundo e te prende aqui. Mas enquanto isso, o que se vê? A aparência meiga com a palidez apagada de uma sombra manchada e comum.

Só espero que enfim, um dia, eu seja capaz de preencher o seu navio com a plenitude do meu humilde jardim.

sábado, 20 de abril de 2013

Farta da Falta


Já estou de saco cheio
De viver só do teu meio,
De um meio sem recheio.
E se há recheio, é de receio,
Recheio de um receio feio
De um meio sem inteiro,
Meio que não mostra a que veio.
Palpitante deixo o meu seio
A esperar o teu inteiro
Que só veio em recheio estreito.
E quanto mais eu peleio,
Mais já não sei no que creio,
Pois só vejo e leio o teu meio feio
Em metades de receio.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Cilada


Em todo lugar que eu ia,
Ela sempre surgia também.
Fosse açougue ou padaria,
Cantina ou armazém.
Passei a crer em destino,
E questionar se era coincidência.
Se o universo estava nos unindo,
Ou se havia explicação da ciência.
Quando tudo conspira a favor,
É porque existe algo errado.
E antes que eu caísse em torpor,
Ou começasse um enlace estragado...
Descobri qual era a cilada
E fugi a tempo, enfim!
A louca era tão alucinada
Que
stalkeava qualquer check-in.

sábado, 6 de abril de 2013

Antes da Meia-Noite


Irai-vos, mas não dormis com vossa ira.
É sabido que o mundo sempre gira
E se de tarde a gente briga,
À noite é como se já fosse outro dia
Porque cada minuto em paz contigo é alegria.
Logo que a discussão inicia
E a primeira ofensa é proferida,
Minh'alma percebe e se enche de agonia
Pois a voz que se exalta é, de sentido, vazia.
Amanhã sequer há a certeza de estar viva,
Então engulo toda a raiva repentina.
Assim como o sol nasce, sendo a manhã quente ou fria,
O meu amor se renova e qualquer sentimento ruim se dissipa.