quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Amar(ras)



Amar sem amarras.
Porque amor é sentimento que rasga
Os limites, os medos e a razão.
Então abre o teu coração,
Permite que a felicidade invada o espaço
Para que, assim, eu caiba no teu abraço.
Deixa arfar e inflar o peito,
Que o que tiver de ser feito...
Será.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Pedestal


Todo romântico é um mártir.
Morre a cada dia uma parte
Do símbolo que expressa a própria arte.

Toda amada é intocável.

Mantém a cada dia beleza irretocável
Do pedestal que se embala inalcançável.

Todo par é fadado à desgraça.

Mistifica a cada dia a ameaça
Do final feliz que esconde apenas uma farsa.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Silêncio


O dom do silêncio
É conter segredos
Que, por diversos medos,
E em prol do bom senso
Resolvemos calar.

O tom do silêncio
É sempre grave,
Pois carrega o entrave
Da dúvida sobre o consenso
De se declarar.

O som do silêncio
É o ruído do nada,
Que preserva a amada
Do barulho denso
Que é tentar ser um par.

O bom do silêncio
É guardar o futuro
Incerto e inseguro,
Que pode ser só fogo intenso.
Cabe a nós optar.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Cinzas



I

Quisera eu te pintar com cores vivas
Que o tempo lentamente desbotou.
Quisera eu poder assim, dar vivas,
Ao conseguir regenerar o que já se desgastou.

Hoje eu só canto nostalgia
E na minha melodia
Cada nota é saudade.

Hoje eu só entoo canções cinzas
E na dor que não se finda
Cada lágrima é verdade.

II

Pudera então guardar, conter o choro
Que na mágoa, bem sei, engoles arrependimentos.
Pudera até sentir falta deste corpo
Que em noites, nos meus braços, afastaste teus tormentos!

Hoje tu sussurras de remorso
E agora eu endosso
Em cada silêncio de momento...

Hoje tu suspiras na lembrança
E ainda nutre a esperança
Em cada frase de lamento.

III

Fizera eu inúmeros e incontáveis planos,
Em sonhos te incluí para ter algum motivo...
Fizera eu de ti, mortalha de desenganos
Em vacilos talvez fatais e tantos erros repetidos.

Hoje eu só carrego na memória
E recordo nossa história:
Cada vão e vil segundo...

Hoje eu só lamento o nosso fim
E torço para que, enfim,
Cada um siga o próprio rumo.