segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Dia-a-dia


Andava meio enjoada
Cansada dessa rotina
Até que surgistes do nada
Corpo de mulher, jeito de menina

Agora nem mais reclamo
Do meu repetido cotidiano
O que importa é que te amo
Passe dia, passe ano!

domingo, 24 de outubro de 2010

Regurgitar


Com toda a minha frieza
Não consigo expressar
Com a devida firmeza
Que acabei de me apaixonar

Não consigo demonstrar
Sou nova nesse ramo
Resta-me, então, regurgitar
Com esforço: eu te amo.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Inveja


Deslizando suavemente pelo teu corpo
Chegando à parte mais íntima
Como pode este objeto morto
Tocar tua pele límpida?

Ai, que inveja que sinto
Desse utensílio de limpeza
Pois se eu fosse ele, não minto
Esfregar-me-ia com muita firmeza

Espumando entre teus seios
Provando teu doce leite
Juro que tentaria todos os meios
Para ser teu eterno sabonete!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Se e somente se


E se a morte esperasse pela nossa vontade?
E se pudéssemos escolher amar só quem nos amasse?
E se pudéssemos acabar com a saudade?
E se o pesadelo de te perder não me assustasse?

E se a distância não fosse problema?
E se não existissem dogmas e pecados?
E se a vida não fosse esse grande dilema?
E se todos perdoassem e fossem perdoados?

E se eu pudesse te ter só para mim?
E se houvesse reciprocidade?
E se existisse amor sem fim?
E se teu sentimento fosse de verdade?

E se eu simplesmente deixasse tudo fluir?
E se tu não fosses a razão do meu pranto?
E se eu pudesse te ninar e fazer dormir?
E se eu não questionasse tanto?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Mistério


Pegadas na areia
Saudades intensas
Um lenço, uma meia
Pistas sangrentas

Um aroma, uma dica
Para eu correr atrás
Tua memória fica
Sofrimento demais

Desvendarei o mistério
Vestígios que deixastes
Pois meu único império
É o calor de tuas partes

Investigo os indícios
Descubro segredos
Esse será o início
De todos os meus medos

Quero ser a primeira
A te ver voltar
Tua partida é passageira
Não tardas a chegar

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Flores



Nunca recebi flores
Nenhuma murcha sequer
Mas isso não inflama minhas dores
Apenas mostra o óbvio: ninguém me quer

Mas agora que te conheço
A esperança brota em meu coração
Quando estou contigo, de tudo esqueço
E já não sei mais o que é essa tal solidão

Descobri que flores são só um símbolo
Para demontrar a importância de um certo alguém
Só que não preciso mais disso, pois me encontro no limbo
Então não preciso de flores para ter certeza de que me queres bem!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Três Acordes


Vem, não se demore mais
Já esperei demais
Rimas infantis eu fiz
Mas nem assim você me quis

Vem, cansei dessa carência
Eterna abstinência
Expressa nesta canção
És sempre inspiração

Vem, ouve os meus versos pobres
E os mesmos três acordes
Do nosso primeiro beijo
Vítima do desejo

Vem, minha voz embargada
Aguarda tua chegada
E minha alma ferida
Não aceita tua partida

Vem, te quero a todo momento
Viva, não estou vivendo
Efêmero, tudo é passagem
Mas contigo, terei prazer na viagem