segunda-feira, 11 de junho de 2018

Boicote

se nada der certo,
eu vou ficar feliz:
é essa autossabotagem
Resultado de imagem para auto sabotagemque eu sempre quis.

se falhar é o correto,
planejo o meu fracasso...
o medo me paralisa
no tempo e no espaço.

melhor dar um fim
antes de começar;
melhor renunciar ao sim
antes de negar.

se termina em tragédia,
escapo devagar.
cuidado com a dúvida!
fujo sem sequer pensar.

se vivo ou se congelo,
não sei como lidar.
só preciso de certezas,
porque sou meu próprio lar.

melhor evitar a dor
antes dela se manifestar.
melhor (re)frear o amor
antes dele acelerar.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Roldão

Resultado de imagem para disorganized

este é um poema torto
ou, quem sabe, um poema sem forma
este poema é dedicado a todas as coisas
que nunca consegui organizar
dentro de mim

este poema é um quarto bagunçado
em visível caos
mas que, apesar da desordem,
encontro às cegas aquilo que preciso

este poema é sobre a (não) necessidade de arrumar
o que quer que seja
para ninguém além de nós mesmos
[quem quiser nos visitar que se acostume com a baderna]
também é sobre se aquerenciar
com os quadros enviesados na parede

este poema é uma ode à balbúrdia
à algazarra que me habita
e à indolência que me circunda:
a limpeza para terceiros.

este poema é sobre o alheio
sobre o estranho, sobre o outro
cuja anarquia também é própria
e não me diz respeito

este poema é, enfim, barulho;
uma confissão em tons de tumulto:
este poema é sobre sinônimos
que refletem nossa confusão interior.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Sobrevivência

Resultado de imagem para pernas apressadas

morro em inúmeras ocasiões
morro duas ou três vezes ao ano
morro ao contabilizar os danos
[e todas as decepções]

morro em cada encruzilhada ética
morro ao matar meus ideais
morro oca em politicagens letais
[que me transformaram em cética]

morro em vida por perder a essência
morro em cólera insaciável
morro de mão atada e execrável
[a sós com minha consciência]

morro em eleições e por votos
morro ciente de minha hipocrisia
morro para manter a hegemonia
[e sorrir à força em fotos]

morro por alguns reais a mais no salário
morro para engordar o contracheque
morro porque sou capacho e carpete
[de um regime ditatorial e mercenário]

morro pelo excesso e pela falta
morro pelo silêncio e pela fala
morro pela crença e pela certeza
[de não suportar minha própria sujeira]

morro porque morrer é inevitável
morro fadada a esse destino
morro porque meu espírito assassino
poupou apenas o que é censurável

morro quando tento uma sobrevida
morro porque isso me obriga a cair no abismo
morro em prol de um favoritismo
[existo já como pseudo cadáver, fria e vazia].

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Colarinho


recentemente descobri
que sempre bebi errado.
vi um vídeo no Facebook
com um truque:
a cerveja tem que ter colarinho
por causa do dióxido de carbono
caso contrário
há uma reação química no organismo

recentemente percebi
que sempre amei errado.
vi coisas aparentemente simples
com mais clareza:
o amor tem que por as cartas na mesa
por causa da franqueza
caso contrário
nos engasgamos com aquilo que escondemos

e eu engolia cerveja sem colarinho
e eu engulo certezas e sentimentos

não sou como Bukowski
com um pássaro azul no coração
não sou como os apaixonados
com borboletas no estômago
sou como uma esponja
que absorve palavras tóxicas
e suporta calada
até se encharcar

qualquer dia desses explodo
como vulcão em erupção;
qualquer dia desses transbordo
como autodestruição...

qualquer dia desses não me caibo mais.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Afinal


eu vou te amar pra sempre
podes contar comigo sempre
sempre estarei ao teu lado
quero ficar contigo pra sempre

a ternura do eterno:
tensão contratual
[contraste moderno]

quanto tempo dura o pra sempre?
pra sempre é muito tempo.
o tempo do pra sempre
talvez não seja o tempo dos homens.
então por que cargas d'água
sempre juramos pra sempre?

quiçá estejamos sempre
equivocados:

o pra sempre dura
enquanto se sente.