sábado, 29 de setembro de 2012

Soneto sem Destinatário


Escrevo versos sem destinatário,
Conformo-me sendo remetente.
Apenas compor já me faz contente,
Desprendimento gradual e diário.

Dessa forma sigo sempre em frente
Fazendo de minhas estrofes, relicário:
Num monólogo, roteiro solitário,
Inspirado por ânsia latente.

Portanto, não dedico a ninguém
Nenhum poema, nenhuma carta.
Se um dia eu amar alguém,

Declararei o que sinto, e isso basta:

Pois quando acaba o querer bem,
A poesia marca e a palavra se arrasta.

domingo, 23 de setembro de 2012

Nome


O amor não tem conceito,
E tampouco preconceito.
O amor não tem nexo,
Cor, raça ou sexo...
O amor não tem religião,
Credo, seita ou sermão.
O amor não tem sobrenome,
Nem família de renome.
O amor só tem um nome,
E esse nome é: amor.

sábado, 15 de setembro de 2012

Mendicância


Beijar-te-ei as pálpebras. Sim, as pálpebras! Existe algo mais singelo que beijar os olhos de alguém? Duvido muito que exista maior demonstração de intimidade. Tocar-lhe-ei os cílios com meus lábios para te transmitir segurança, pois sei que o pavor mais íntimo de todo ser humano é exatamente este: o abandono. Não tema, então: com a mesma devoção que te beijo, proteger-te-ei até o fim dos tempos, ainda que continues ao meu lado apenas por medo de ficar só no mundo.

Pinceladas. Pitadas de amor próprio, por onde andam? Dirão que não existem mais resquícios disso em mim? Dirão que me sujeito a migalhas. Que mendigo afeto, e que aceito teus farelos de amor. E digo, contrariando todos, que tuas esmolas me servem, mas não por muito tempo -espero-. Sei que isso é absurdo. Mas por enquanto, o que importa é que, no fundo, tenho esse mesmo desespero teu, e de todos: a solidão me apavora. Senso comum.

É óbvio que não desejo me contentar com os restos que me ofereces. Sonho com o dia em que superarei o vício de teus respingos e fagulhas perdidas, e ainda conseguirei me libertar dessa condição indigente. Não quero habitar o gueto dos teus pensamentos nem a favela na qual me instalei dentro do teu coração. Tenho plena consciência de que mereço nada mais, nada menos... Que um banquete.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Ar(risque)


Baseado em hipóteses deduziu ideais
Sem saber que a vida é feita de experiências reais!
Prosseguiu com medo de decepções,
Sem aprender verdadeiras lições:
Descobriu no fim que temer o perigo é algo nocivo
- Viver de ses é existir no subjuntivo -.