sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Cegueira


Vou além do que vejo;
E aproveitando o ensejo,
Fechei os olhos e abri o coração
Porque sei que a verdadeira percepção
É mais ampla que meu campo de visão...

De que adianta um globo ocular,
Uma íris castanha para enxergar,
Se o ser humano é incapaz de sentir
A dor do próximo e o porvir
Sofrido de quem sequer tem para onde ir?

Se os cílios não me ajudassem a estender a mão
A quem não possui nem mesmo um pão,
A quem tem a fome como único bem que carrega,
A quem a vida todos os sonhos nega,
De nada serviriam meus olhos, pois eu ainda estaria cega.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Intransigência



Disseste que não suportas receber ordem
Mas de dogmas e regras todo mundo é refém!
Portanto, cuidado com esse conceito taxativo,
Porque o único verbo que uso no imperativo
É "ama-me" ontem, hoje e sempre, meu bem.

sábado, 11 de agosto de 2012

Prioridades


Ele queria ter amado mais;
Ele poderia ter amado, mas...
Ainda preferia deixar sempre para trás,
Cumpria metas que o amor não satisfaz!
- Sentiria, depois, que não é tudo que o tempo traz -
E que a vida passaria sem nenhum mérito:
Ah! Morreria, enfim, no futuro do pretérito.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Ianomâmi


Morena cigana, cigana morena,
Índia ianomâmi da pele amena,
Adoça minh'alma com a boca pequena.
A vida sem ela é vazia e dá pena...
Na ausência, a saudade remonta a cena:
Ao olhar para ela, a paisagem é serena.