terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Imparcial


 Raptou as areias das praias,
Aprisionou-as em frascos.
Não separa classes e laias,
Não distingue fortes e fracos.

Tem a forma que quiser,
Mas não é divindade.
Foge da sina de morrer,
Sequer nota os sinais da idade.

Sempre ilude os amantes,
Adiantando a partida.
Quando se quer ir embora antes,
Os ponteiros retardam a saída.

Governa ditador e soberano,
Numa ampulheta monárquica.
Envelhecemos ano a ano,
E ele prossegue sua vida intacta.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Caverna



Para cortar lenha, subi a serra;
Desviei das pedras e montanhas de terra...
Num perigoso abismo além das curvas,
Após horas de viagem, visão turva.

Descendo mais a cordilheira que resta,
A superfície rochosa deu lugar à floresta.
Numa planície entrecortada de arbustos,
Substituindo os montes que formam teu busto.

Logo encontrei uma depressão profunda
Tal qual uma caverna úmida...
Anoitecia até que adentrei o local quente
E lá passei a madrugada latente.

Quando meu passeio terminou, enfim,
Eu ingênua pensei que havia chegado ao fim
E que eu poderia voltar para minha casa:
Quando vi que ainda estava acesa a brasa.