sábado, 29 de outubro de 2011

Das Coisas que Farei ou Deixarei de Fazer (I)


Não gosto da ideia
De poder um dia
Dormir ao teu lado.
Apetece-me mais ainda
O termo amanhecer.
Porque contigo, meu bem,
Tenha certeza:
Farei tudo,
Menos adormecer.

domingo, 16 de outubro de 2011

Oração aos Quatro Elementos



Ar, Terra, Fogo e Água.
Venho agora pedir a vós
Que me ajudem a tirar a mágoa
Dessa minha solidão atroz.

Amei enlouquecidamente,
Ceguei-me para o senso comum,
Meu juízo ficou dormente,
E a paixão explodiu como um BOOM!

Ar, traga a respiração dela...
Compartilhar o mesmo oxigênio
É meu desejo maior; na janela
Espero com ansiedade e empenho.

Terra, puxe as pedras e grãos de areia
Para perto de mim com frequência.
Quero pisar com minhas meias
Nesse torrão que ela caminhou com inocência.

Fogo, aqueça o meu amor
E não deixe jamais que termine em poeira
Ou em cinzas teu eterno calor
Presente em sua lareira.

Água, pelo ralo venha me atingir
Após escorrer na pele do meu bem.
Se não posso estar perto, posso ao menos dividir
Tudo que ela já usufruiu do Universo. Amém.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Fantasias Sob Medida

Parceria com Luna Sanchez


Nascem fantasias sob medida
a partir dos beijos que entrecortam os sons.
Aproximam-se os mundos, as curiosidades, as vidas,
combinam-se as texturas, as formas e os tons.

Vontades se mostram semelhantes, parelhas,
letras e vozes são portais para afinidades.
Surgem luas, frios, calores e estrelas
e antes do "Até logo!" já se sente saudades.

A poesia se movimenta sedenta, fluida
em direção aos desejos e aos sonhos bons.
A linha suave une as alegrias contidas,
costura no avesso o "junto", o "perto" e o "com".

Tecido bordado com flores vermelhas
que se abrem e revelam uma nova verdade.
E a fantasia que era roupa de festa, agora permeia
a pele, vira dia a dia, fato, doce realidade.

domingo, 9 de outubro de 2011

Soneto dos nossos corpos

Intertextualidade com a música Soneto do teu corpo, de Leoni.



Juro beijar teu corpo sem descanso
Como quem se perde e se encontra.

Vou ser a teu favor, vou ser contra
No vai e vem intrépido do balanço.


Beijo-te escorada no azulejo, não canso.
Tesão no vapor, o desejo apronta...
Eu caibo em ti, o contorno aponta
E depois do prazer, um cochilo manso.


Como em teus seios, bebo ameaças,
Entre mãos bobas, mutações constantes.
Faço canções em teu corpo e me enlaças...


Línguas entrecortadas antes, durante,
Línguas compartilhadas enquanto me amassas.
Juro beijar teu corpo como amante.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A Moça e o Vento


 Há muito tempo, o vento se apaixonou.
Naquele entardecer, uma moça
No banco do parque se sentou,
Pálida tal qual porcelana ou louça.

O vento se debatia desesperado
Tentando tocá-la, em vão.
Chegou até a virar tornado
E as árvores foram arrancadas do chão.

Vendo, infeliz, que não deu certo,
O vento, enfim, virou furacão.
Queria abraçá-la, tê-la por perto,
Mas daí veio outra decepção:

O mundo se tornou um caos
Causado por tantas intempéries;
Os humanos se tornaram maus
Revoltados pelas fúrias naturais em série.

O vento então parou em um cume
E percebeu qual seria a solução:
Arejaria os cabelos da moça, e seu perfume
Restauraria a paz em toda a nação.

O vento hoje, portanto, vai e logo vem.
Fica um bocadinho, mas não permanece.
Pois o vento, tal qual o amor, vai além:
Eterniza no coração, mas no físico... Evanesce.