terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Des-coberta


Ao mesmo tempo que carrego o desejo oprimido
De dormir ao teu lado para sempre,
Cantar lullabies ao pé do ouvido
E amanhecer com felicidade latente,

Levo também, em segredo
O sonho de não adormecer:
De perder contigo qualquer medo
Que possa por acaso vir a nascer.

Divido assim a ideia
De penetrar no que não descobri
Para que os lençóis sejam a plateia
Do espetáculo que ainda está por vir.

Que a noite sempre nos resguarde
E a madrugada nos acolha para si.
Pois quero provar, sem alarde,
O gosto singelo de estar dentro de ti.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Porta-Bandeira da Dor




A Banda passa bem cedo
E nos perdemos no trio elétrico...
Já não lembramos dos sambas de enredo
Cantados na véspera do desfile estético.
Durante o feriado esquecemos os medos
E aderimos ao festejo eclético,
Enfeitando o corpo com adereços,
Contagiados pelo clima magnético.

As cores e a brincadeira,
A beleza de cada fantasia,
Só me fazem ser porta-bandeira
Das dores que voltarão um dia.
Por ora prosseguem as 'feiras'
Comemoradas com muita folia,
Mas desde já prevejo uma inteira
Destruição na avenida da vida.

Pois de que vale o Carnaval,
O
pierrot e a colombina
Se é tudo fugaz e banal?
O confete e a serpentina
Com repetida alegria anual
Se esvaem entre algumas marchinhas.
E como morte fatal
Findam na quarta-feira de cinzas...