sábado, 27 de outubro de 2012

Briga de Roda


A rosa brigou com o cravo
Debaixo de um barzinho:
O cravo soltou os caralhos
E a rosa deu para o vizinho.

O cravo, só na birita
Nem cogitava parar.
A rosa cansou dessa vida
E mandou o cravo pastar.

Depois do dito divórcio
A rosa despedaçada
Suga outro pólen sem remorso:
Encontrou uma samambaia.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Moeda de Troca


A fé que acalma um coração aflito
Amansa o desespero e ameniza o conflito
É a mesma fé que na alegria concebida
Não agradece a graça concedida?

Jamais! A fé nada tem a ver com essa culpa.
A falha é do falso fiel que, sem desculpa,
Sabe pedir e espraguejar à vontade
Caso não consiga o que almeja da divindade.

Crença não deve ser objeto de barganha;
Deixar promessa pendente é baixeza tamanha!
Nessa vida, tudo pode ser comprado,
E entre corruptos também ser negociado...

Entretanto, um acordo humano
Não é válido no fim, pois é algo mundano:
Além do plano terreno, há muito mais!

Quando um corpo sucumbe e na cova jaz,

Não há como, depois, tentar moeda de troca.

Se a alma é pura, mediana, ou porca,
Assim será julgada sem tabela de preço:
O que é feito aqui hoje, define um futuro endereço.

domingo, 7 de outubro de 2012

Agridoce


Uma era açucarada
E a outra, amarga:
Levavam uma vida azeda,
E só havia incerteza
Até que se encontraram:
Sabores que se completavam.
O resultado poderia ser qual fosse!
Mas assim começara um amor agridoce.