quarta-feira, 14 de abril de 2010

Espelho Partido


Por favor, não te espantes ao ver meu espectro.
Olha-te no espelho e aprecie ele se quebrar,
Se partir em mil pedaços
E te fazer sangrar.

Tu és apenas mais uma na multidão.
Os olhos de quem está ocupado
Não percebem teu desepero.
Saiba que sempre estarás sozinha.

Teu pesadelo é teu retrato.
Por que clamas por estética?
Faça do obscuro teu escudo,
Explore as trevas da vida.

Te vês no espelho e percebes teu carma:
Ele reflete teu rosto pálido,
Teus longos cabelos negros, tristes olhos escuros
E tuas vestes do hospício.

Mas não reflete tua alma destruída pela solidão,
E para te acalmares, riscas palavras perdidas
Na imensidão do papel, que tudo aceita.
Quem és tu, criatura molhada pela chuva noturna?

Que olha para o céu e a água que cai,
Pedindo socorro e proteção que te negam?
Com tais perguntas, teus lábios formam um sorriso maquiavélico.
-Por acaso não estás te reconhecendo?!

3 comentários:

Genny LiMo disse...

Esse me fez refletir a cerca de meus poemas na idade de 14 anos, posto que sempre eram voltados a minha auto-analise em frente ao espelho.
Para mim o espelho sempre refletia e refletiu váriações de personificações do meu "eu" que nunca me pareceram palpaveis.

Mensagem Efêmera disse...

Que bom que tivemos fases literárias semelhantes! :D
Esse poema foi algo único, nunca repeti a mesma temática. Talvez porque eu tivesse medo do que esse espelho iria me mostrar.

Genny LiMo disse...
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