segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Val(idade)



I

Com medo de sua mortalidade,
Sentia tanta inveja dos felinos
Peludos, ariscos e distintos,
Que quis ter sete vidas para poder ir além.
Tinha pavor de falecer menino
E, sabendo da própria transitoriedade,
Começou a espalhar fofocas,
Desprezar o amor ao próximo,
Causar intrigas e semear discórdia
Pra ver se conseguia, de alguma forma,
Se por acaso ou por misericórdia,
Incorporar os anos de vida dos outros também.

II

Qual não foi sua surpresa,
Quando a longevidade alheia
Acumulou-se em sua existência.
De fato, já nem mais envelhecia,
Para desespero da ciência.
Mas chegou um ponto em que o fim da linha
Era a opção mais confortável a seguir.
Levou desde sempre atitudes tão mesquinhas,
Que agora sequer sabia para onde ir.
Quando se petrificou o secular coração,
Tomado pelo vazio da apatia,
De tão miserável, morreu um dia
Por causa da solidão.

3 comentários:

Camila Teixeira disse...

Você escreve muito, bem, sério, incrivel, parabéns!

www.livrologias.blogspot.com.br

Rafaela Senna disse...

Oi Lara! bom vir aqui e encontrar uma escrita tão especial quanto a sua, seus versos fluem, tem vida! gostei demais do seu espaço! parabéns você é muito talentosa! grande abraço!

B. disse...

Texto forte e crítico. Adoro quando você explora esses temas!