sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Fenômeno



Quando dei por ti, estavas impregnada nos meus dias. Não digo que dei por mim, porque quando percebi... Eu já era inteiramente tua e sequer me pertencia. 

Estás no espreguiçar matutino, nas pernas erguidas na rede, iluminadas pela luz vespertina. Estás principalmente nos pensamentos rotineiros que antecipam o sono profundo, e enquanto eu peço baixinho pra que sempre te tenha inserida no meu dia-a-dia, noite-a-noite. 

Quando dei por nós, eu já não me cabia de tanto afeto, porque transborda demais. Mas ao mesmo tempo, eu caibo dentro de ti, e esse espaço basta por si só. 

Mas eu sempre fui rio: águas turvas, profundas, porém doces. E a princípio tive muito medo também, pois só havia encontrado poços escuros e rasos. Afogava-me a pequenez das enxurradas alheias. Sufocava-me o fato de todo mundo dar pé. E então, te apresentaste: mar infinito de água cristalina! O medo passou para temor da tua imensidão; do teu sal me destruir e a fusão das incontáveis gotas resultar em uma catástrofe natural. 

A verdade é que tinha me acomodado em ser quem amava mais; quem se entregava por completo. Encontrar alguém que correspondia à intensidade dos mergulhos me deixou sem areia, sem praia, sem chão, pois tu encharcas qualquer sertão. 

Eu, acostumada a me envolver com a carência de líquidos outrora - experiências rarefeitas de carinho -, ali me senti quase insuficiente. Não contive a surpresa ao notar reciprocidade plena (ondas calmas e não revoltas, por haver equilíbrio). 

Agora é evidente minha pura insegurança... Não fico mais à margem de nenhuma desconfiança: não há felicidade maior que amar sem medidas na mesma medida. Percebo a beleza nos fluidos dessa troca: eu deságuo em ti, e em nós... Pororoca.

5 comentários:

Genniffer Moreira disse...

FELICIDADES.

Erica Ferro disse...

"A verdade é que tinha me acomodado em ser quem amava mais; quem se entregava por completo. Encontrar alguém que correspondia à intensidade dos mergulhos me deixou sem areia, sem praia, sem chão, pois tu encharcas qualquer sertão."

Que coisa linda! ♥

Sacudindo Palavras

Karlinha Ferreira disse...

Amar sem medida... isso sim parece bom...
Adorei o post...
Apaixonante... assim como as pessoas de qm o texto trata... :)

B. disse...

Amar assim é um revigorar do ser. Quão belo é sentir e se expressar dessa forma. Felicidades Lara!

Ps: Parece que descreveste também o meu sentimento atual.

Andressa Pereira disse...

Amei a comparação, não faltou inspiração aí hen?!
Lindas palavras... eu só acho que eu preciso de um amor assim também, em infinitas águas cristalinas!

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