quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Inanição


Na mesa de jantar, há lugar para dois
Mas as refeições tem sido solitárias
Como obrigada o mesmo feijão com arroz
E repetidas receitas culinárias.

Todavia, o alimento de minh'alma
Nunca mais apareceu na cozinha;
Louça acumulada e o eco da palma
Proveniente do portão da vizinha...


Prossigo sujando inúmeros pratos,
Mantendo uma incurável anemia:
Meu coração é corroído diariamente por ratos
Pois sei tanto de amor quanto de gastronomia.

8 comentários:

B. disse...

Muitas vezes, a solidão insiste em nos perseguir. E embora lutemos incansavelmente, ela permanece. Acho que até chegar o momento, no qual, fazemos dela, a nossa melhor companhia, e aprendemos a conviver com este sentimento. Aprendemos a esperar, e deixar com que o momento certo, chegue na hora certa.

Lê Fernand's disse...

das coisas mais lindas que já vi.
melimetricamente pensado e, com certeza, sentido.

amei. =)

bj, meu anjo.

Amanda Souza disse...

"Pois sei tanto de amor quanto de gastronomia." Suas frases tão objetivas, mas que sempre tem um significado tão amplo. Adoro vir aqui e ler as tuas poesias!
Beijinhos

hiperbolismos.blogspot.com

ᄊム尺goん disse...

idem de igual, amiga! rs


beijo

Jaci Rocha disse...

Mas nem sempre não saber a receita implica em não acertar o tempero...ufa! que bom!- Pois também em gastrononia e outras coisitas mais não tenho muito 'preparo'.

Verso preferido seu, até agora! :)

Karine Tavares disse...

Ai, doeu aqui!
Teu blog é lindo, parabéns!

Vem conhecer o meu:
leiakarine.blogspot.com

TiagoQuingosta disse...

Abandono...

Raehli Hage disse...

Tuas rimas as vezes me impressionam! Não é aquela coisa forçada, de "essa palavra foi colocada ai só pra rimar" é algo que se encaixa complemente, e se envolve com o texto de forma ampla e tão inteligente. Lara incrível como sempre.


nidum.blogspot.com