terça-feira, 14 de outubro de 2014

TOC-TOC


É notório:
Todos elegem um bode expiatório
Para evitar a Felicidade.
O trânsito na cidade,
O trabalho, a ausência de tempo.
Mais um congestionamento!
Os filhos, a reforma na casa.
Sempre há um imprevisto, um contratempo.
Até que a Felicidade se cansa,
Devagar, sem lenço e documento,
De tanto baterem-lhe a porta na cara.
Tranca-se a porta com mil ferrolhos;
À espreita, um milhão de olhos
No olho mágico,
Para observar a partida da visitante
Que, por um instante,
Exita em abandonar o destino trágico.
E a vida é exatamente isto: abandono.
Enquanto a Felicidade vagueia sem dono,
Permanecemos no sofá da sala
Com a TV ligada
Reclamando por nunca termos ganho na loteria.
Os números da Mega-Sena!
Isso sim seria alegria.
E já sai de cena
A chance,
Às vezes percebida apenas de relance
Pelos que possuem uma viseira mais curta
Que permite enxergar melhor a luta
Da Felicidade, que agora pula a janela.
Olha ela!
O alarme de segurança soa.
Agora a Felicidade foge da sirene que ecoa;
Criminosa, gatuna, bandida,
E a gente segue lamentando a vida
Pela falta de sorte.
Eis que chega a morte
E a Felicidade? Ainda foragida.
Mendiga,
Clama por um pedaço de pão.
Quem sabe um dia
Alguém abra as portas do coração
E diga com mansidão:
- Seja bem-vinda, imensidão.

2 comentários:

Pepê Mattos disse...

Muito bom... poesia flui entre frestas... entre florestas...entre flores...

Carlos Marcos Faustino disse...

Muito bom mesmo. Viajei nos teus versos. Lindos