quinta-feira, 10 de julho de 2014

Infanticídio


Quando eu era pequena,
Certa vez, vi uma cena
Em um desenho que eu gostava.
Quando a geladeira fechava,
Lá ia um pinguim e apagava a lâmpada.
Eu encasquetei com aquilo por implicância
E comecei a abrir e fechar a geladeira
(Curiosidade ou brincadeira),
Sonhando desvendar o grande mistério
E quando solucionei, achei um despautério.
A partir dessa descoberta,
Veio a realidade dura
Através de uma fresta, uma porta entreaberta,
Ou o buraco de uma fechadura.
Foi-se embora todo meu encanto de criança.
Com o tempo foi-se o Papai Noel, foi-se a Fada do Dente,
O Coelhinho da Páscoa e... A esperança.
A gente cresce iludido e pensa
Que ser maduro é se deixar invadir pela descrença.
De fato, o ingênuo, aqui, não dura muito
E, se durar, é apenas caso fortuito.
Hoje já adulta e mais consciente,
Olho para o mundo
Percebendo o meu redor.
Tá tudo tão feio, egoísta e imundo
Que imagino que seria melhor
Para o bem do amor, da ciência
E também para mim
Ter continuado a acreditar na existência
Daquele franzino pinguim.

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