segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Porta-Bandeira da Dor




A Banda passa bem cedo
E nos perdemos no trio elétrico...
Já não lembramos dos sambas de enredo
Cantados na véspera do desfile estético.
Durante o feriado esquecemos os medos
E aderimos ao festejo eclético,
Enfeitando o corpo com adereços,
Contagiados pelo clima magnético.

As cores e a brincadeira,
A beleza de cada fantasia,
Só me fazem ser porta-bandeira
Das dores que voltarão um dia.
Por ora prosseguem as 'feiras'
Comemoradas com muita folia,
Mas desde já prevejo uma inteira
Destruição na avenida da vida.

Pois de que vale o Carnaval,
O
pierrot e a colombina
Se é tudo fugaz e banal?
O confete e a serpentina
Com repetida alegria anual
Se esvaem entre algumas marchinhas.
E como morte fatal
Findam na quarta-feira de cinzas...

6 comentários:

Kássia Modesto disse...

lindo texto Lara... suas obras são admiráveis' parabens

Patrícia Pinna disse...

Boa tarde, Lara. Concordo com você, também penso desse modo.
Esquecemos das dores por ora, aliviamos o nosso sofrimento em desfiles acalorados e felizes, mas acabamos por voltar ao nosso mundo real, que não são de 04 dias.
De qualquer modo, para quem gosta, é bom se divertir, trazer a alegria para perto de si, ainda que a máscara caia na quarta-feira.
Beijos na alma e fique na paz!

AquilesMarchel disse...

o carnaval é indiferente a mim e eu a ele
o brasileiro em sua forma mais pequena, feliz e vazio
belo poema
quarta de cinzas deve ser melancolica para muita gente

Amanda Souza disse...

Mais um poema lindíssimo. Pois é, o carnaval se vai e todas as angústias, problemas e dificuldades voltam a ser lembradas. Mas ao menos podemos aproveitar essa semaninha de festa, né? Dá, ao menos, um gás a mais pra se recuperar das quedas...
Beijinhos

Hipérboles
@hiperbolismos

Lívia Almeida disse...

É o carnaval é o placebo do povo, o placebo dos amores não correspondidos e dos problemas mal-resolvidos.

Arianne Barromeü disse...

Pra mim, o carnaval é algo de como se libertar. Você veste como quer, dançar como quer, cantar como bem entender. É uma mistura, sabe? Mas concordo com você em gênero, número e grau!

:*