quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Seu Zeca

Eu já não tenho os dentes de antes
e as rugas se apresentam;
não tenho a astúcia da juventude,
mas carrego a angústia dos que se aposentam.

Ouço ao longe palmas distantes
e vozes que se sustentam;
não entendo bem a comemoração,
mas sei que festas todos inventam.

Percebo a música distorcida
e velas que se acendem;
não recordo qual a data querida,
mas espero que eles se lembrem.

Eu já não tenho a memória de outrora
e as lembranças se embaralham;
não tenho culpa de minha idade,
mas imagino que rapazes também falham.

Deito quieto no sofá da sala
e minha família continua os parabéns;
não conto mais quantos aniversários
porque não consigo enumerar de zero a cem.

Repouso tranquilo em minha cadeira
e tomo Danone para que a calma paire;
não há mais pressa e nem saudade
para quem sofre de Alzheimer.


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