sexta-feira, 12 de junho de 2015

Nos braços de Morpheu


Invado teu sono na tentativa vã
de descobrir se sonhas comigo.
Permeio planícies longínquas,
jardins repletos de flor,
países com línguas mortas...
Omnia vincit amor.
Tu, que és a quimera
que mora em minha onírica realidade:
delírio do dia-a-dia.
Quantos pesadelos constroem a metamorfose
de um t(r)emor noturno?
Paralisada me deparo, de olhos abertos e taciturnos,
ao enxergar sem ar:
mais que parte fantasiosa do subconsciente...
Tu és por si só toda a minha vida.
Não consegui saber se sonhas comigo,
mas te vi abrir um sorriso
em meio aos primeiros raios da manhã.
Portanto, amanhã
continuarei vasculhando
de canto em canto um espaço
para ser sempre motivo
das tuas alegres pálpebras se abrirem
junto com as janelas da casa
e o habitual aroma de eucalipto.
Cotidiano rito...
Se tudo enfim se ajeita,
deixa eu ser essa luz
que entra pela fresta estreita?

3 comentários:

Marvin Cross disse...

Ainda bem que resolvi dar uma passadinha aqui, tava perdendo essa maravilha de poema. Parabéns!!!

Mingau Ácido disse...

Sutileza e intensidade são os dois adjetivos que eu usaria para descrever esta poesia, se somente duas palavras tivesse eu o direito de empregar.

Salta aos olhos a transitoriedade hábil que perfeitamente aloca o conjunto de elementos desta Obra. O desejo é tão latente que se ambiciona invadir o sono do ente almejado pela quimera. O itinerário imaginativo é jeitosamente guiado ao almejar-se ir tão além que busca-se, inclusive, em terras que os olhos da terra já não mais vislumbram, em locais onde até mesmo seus idiomas são obsoletos.

Como uma barra de ferro fundido, na qual não é possível visualizar a química dos ligamentos, o encaixe das substâncias são, neste poema, somente desmembradas por um grande esforço analítico para que se nutra, com o desfrute da absorção, a engenhosidade de Lara Utzig ao criar tais construções. Admira-se, concomitantemente, quando se aprecia esta obra, as concepções de modo isolado bem como suas respectivas junções, que para a autora foi tão natural ao redigir, mas para o leitor faz-se mister desmembrar para que se beba cada átomo de sabor proporcionado pelos versos.
Sinestesicamente, é factível materializar o silêncio pousado na rotina diária de quem foi tomado pela vontade do espírito ("que mora em minha onírica realidade: delírio do dia-a-dia"; "Paralisada me deparo, de olhos abertos e taciturnos").

A declaração derradeira é tão adequadamente encastoada que paira no miolo do poema, envolvida pela alacridade da beleza do devaneio: "mais do que parte fantasiosa do subconsciente... tu és por si só toda a minha vida"...

E o fechamento do enredo poético é consolidado com chave de ouro, pois Utzig mescla o intuito malogrado com o amanhecer, querendo ser a luz que entra pela janela da casa da pessoa ansiada, fenestra que se abre como as pálpebras.

Anônimo disse...

Reflete compulsao de viver algo novo.