sábado, 1 de novembro de 2014

Queloide


Quando a tristeza anestesia a esperança
De um amor que se findou,
Este mesmo amor gera uma lembrança
De um fio que sempre esteve por um fio...
E enfim se cortou.

O fio, outrora de cobre
Agora não cobre a costura do tear.
Frágil, este mesmo fio se descobre
E amortece, e tece
O não se importar.

De tanta dor, o amor não se esquece,
Mas cria espaço para a chaga fechar.
E o fio, por um triz,
Virou cicatriz
Até a pele sarar.

Depois de anestesiado
Pelo amor do passado
Que ainda está vivo,
Apenas um pouco sonolento...
Em desmedido sofrimento,
Termino de bordar o tecido:


Amor-tecimento.

2 comentários:

Thaynara Azevedo disse...

Gente <33

Karlinha Ferreira disse...

Poesia com a dor...
Isso sim é arte...

Beijo grande...