domingo, 23 de março de 2014

Nômade



Nasci circense;
Nem americana,
Nem amapaense:
Sem morada.
Conheci apenas,
A duras penas,
O pé na estrada.
E, como passe de mágica, 
Vi-me numa peça 
Épica, romântica ou trágica: 
Estava presa 
Por vontade própria 
Na cidade ilusória 
De teus lábios. 
No picadeiro 
Estava entregue por inteiro 
Em teus braços. 
Depois de rodar tantos bares, 
Estava eu ali, 
Alvo de teus malabares, 
Como vítima que ri 
De seus azares. 
Nunca caí do trapézio: 
Meu truque é ser alada. 
Mas no fim, dei-me por vencida... 
Todos disseram: “palhaçada”! 
Julgaram-me descabida 
E seguiram viagem 
Enquanto eu escolhi a vida 
Sem quilometragem.

Um comentário:

João Amorim disse...

Gostei. Chamou atenção o título porque gosto do assunto e me surpreendi pelo enfoque totalmente novo pra mim. Parabéns Lara. Vou ficar acompanhando. :)