Constatação terrível:
o plano era infalível
antes de falhar.
Eis que nossos corações
[preenchidos pelo ontem]
se cansaram de esperar.
Quimeras críveis:
os sonhos mais difíceis
eram fáceis de lidar.
Eis que o caminho pesado
[cheio de findas outroras]
passou do tempo de bifurcar.
Proteções antígenas:
as mãos dadas - e frutíferas -
eram leves de agregar.
Eis que o laço tão ameno
[repleto de pretérito]
é nó de chumbo pra amarrar.
União compulsória:
presas pela memória,
na dúvida de superar.
O que foi e não é mais faz voltar atrás,
e na tentativa de ser outra vez,
de novo a se frustrar...
[por aquilo que já se desfez].
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
Seu Zeca
Eu já não tenho os dentes de antes
e as rugas se apresentam;
não tenho a astúcia da juventude,
mas carrego a angústia dos que se aposentam.
Ouço ao longe palmas distantes
e vozes que se sustentam;
não entendo bem a comemoração,
mas sei que festas todos inventam.
Percebo a música distorcida
e velas que se acendem;
não recordo qual a data querida,
mas espero que eles se lembrem.
Eu já não tenho a memória de outrora
e as lembranças se embaralham;
não tenho culpa de minha idade,
mas imagino que rapazes também falham.
Deito quieto no sofá da sala
e minha família continua os parabéns;
não conto mais quantos aniversários
porque não consigo enumerar de zero a cem.
Repouso tranquilo em minha cadeira
e tomo Danone para que a calma paire;
não há mais pressa e nem saudade
para quem sofre de Alzheimer.
e as rugas se apresentam;
não tenho a astúcia da juventude,
mas carrego a angústia dos que se aposentam.
Ouço ao longe palmas distantes
e vozes que se sustentam;
não entendo bem a comemoração,
mas sei que festas todos inventam.
Percebo a música distorcida
e velas que se acendem;
não recordo qual a data querida,
mas espero que eles se lembrem.
Eu já não tenho a memória de outrora
e as lembranças se embaralham;
não tenho culpa de minha idade,
mas imagino que rapazes também falham.
Deito quieto no sofá da sala
e minha família continua os parabéns;
não conto mais quantos aniversários
porque não consigo enumerar de zero a cem.
Repouso tranquilo em minha cadeira
e tomo Danone para que a calma paire;
não há mais pressa e nem saudade
para quem sofre de Alzheimer.
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
Concretude
que me envolve e repreende...
este corpo que me molda,
me limita e me amarrota,
é o mesmo corpo que me liberta,
me permite e se expressa
de dentro pra fora.
este corpo tão preocupado
com padrões de todo lado...
Este corpo normatizado
[e violento
com desejos e libido...
este corpo que não pode ultrapassar 3 dígitos
é um corpo que (se) importa e é exportado:
de fora pra dentro.
este corpo sou eu, an(t)ônimo ser,
e se sustenta em saber
que é matéria para jornais e revistas,
rankeado em listas,
mas acima de qualquer top 5
indubitavelmente é advindo
de outra matéria muito mais nobre.
Descobre.
sexta-feira, 12 de maio de 2017
Script
E eu que não tinha mais medo
esqueci o enredo
pra te conquistar.
O que é que a gente diz depois de um olá?
Quando eu fico sem jeito
é mais um defeito
a consertar.
O que é que a gente diz depois de como está?
Se o script eu não leio
me perco tão feio,
não sei o que falar.
O que é que a gente diz depois de amarelar?
Tenho os mesmos receios,
mas então me veio
uma conclusão a acatar:
quanto mais perguntas a gente se faz,
menos tempo sobra pra amar.
segunda-feira, 24 de abril de 2017
Escudos
foi-se embora minha sanidade
junto com tua loucura
dentro daquele táxi bandeira 2
adentrando a rua escura.
na cidade, ressoa teu choro
ecoando baixinho em tons agudos
já nem lembro do teu rosto,
apenas recordo teus escudos.
as muralhas de cautela
daquilo que poderia ofender;
cuidado em cada palavra austera
para não se arrepender.
respirando um ar de melindre
de um melodrama sem fim
não sei se há amor aos vinte
ou só conforto e venha a mim.
ao vosso reino pouco resta.
promessa que não se sustenta:
e o limite de dois anos de espera
está perto e se lamenta.
inspiro-me quando sofro,
agora nem isso aproveito,
de tão cansada que me encontro...
aceito o malfeito.
meu passado fora combustão
meu presente é exaustão
e o futuro, sabe Deus?!
junto com tua loucura
dentro daquele táxi bandeira 2
adentrando a rua escura.
na cidade, ressoa teu choro
ecoando baixinho em tons agudos
já nem lembro do teu rosto,
apenas recordo teus escudos.
as muralhas de cautela
daquilo que poderia ofender;
cuidado em cada palavra austera
para não se arrepender.
respirando um ar de melindre
de um melodrama sem fim
não sei se há amor aos vinte
ou só conforto e venha a mim.
ao vosso reino pouco resta.
promessa que não se sustenta:
e o limite de dois anos de espera
está perto e se lamenta.
inspiro-me quando sofro,
agora nem isso aproveito,
de tão cansada que me encontro...
aceito o malfeito.
meu passado fora combustão
meu presente é exaustão
e o futuro, sabe Deus?!
por ora, guardo um adeus.
Assinar:
Postagens (Atom)


