sexta-feira, 4 de maio de 2012

Jornada


Sinto-me uma estranha no ninho, deslocada em meio a tanto esquecimento... Abandonada estou, na independência forçada de quem amadurece. A idade aumenta; o tempo diminui: forças inversamente proporcionais. A vida também obedece às leis da Física.
Na inércia de minh'alma e no repouso induzido a que levei todos os meus sentimentos, a distância percorrida até agora não me trouxe a nenhum ponto de chegada. Continuo, assim, na incerteza de uma vitória final, decidindo entre tantas encruzilhadas e difurcações qual o caminho mais adequado a ser seguido.
Nem sempre escolho a via mais segura, pois às vezes sinto que atalhos sinuosos ou pistas mais estreitas elevam minha adrenalina e dissipam um pouco a monotonia de minha existência, já que de adormecido bastam meus sentimentos. Abstraio, dessa forma, uma parcela da melancolia diária que preciso lidar.
Assim, suada por tentativas vãs, exausta de possibilidades frustradas, sonolenta por tanto esforço não reconhecido, anestesiada por tantas decepções consecutivas, prossigo a jornada da mesma maneira: sozinha, ainda me sentindo... Uma estranha no ninho.

5 comentários:

Genny disse...

E olhe que a jornada ainda esta só começando.
Desejo-te boa sorte no percurso dessa estrada, espero que você possa aproveitar cada metáfora da vida e entenda ao fim a importância de continuar sempre seguindo em frente, mesmo que nada pareça fazer sentido.


Boa tarde, LaRita.

Diego Gatto disse...

É moça... que leitura curta e insinuante para esta minha madrugada insone. Veja só...estou dividindo uma cama de solteiro com uma moça que nesse momento dorme profundamente, no entanto, estou sozinho. Sempre estive... aliás...não sei o que estou fazendo por aqui. Não sei onde tu moras, mas eu moro na capital paulista...faz frio e o apartamento é grande e vazio, apenas com móveis e coisas que não funcionam. Quero chegar ao parapeito da janela, fumar um cigarro e me atirar lá para baixo acordando os cães que dormem ao ouvirem o barulho do meu corpo espatifar na telha galvanizada da garagem de alguém. Nessas horas eu me sinto em um filme B; ouço vozes, mas sei que são apenas rumores distantes... de uma rua que está além da imaginação... de um multiverso que se aproxima e nunca colide.


http://fagocitandosp.blogspot.com/

B. disse...

Eu pude perceber muito do texto, em minha vida, ou melhor, no meu ser. Você escreve muito bem, menina. Tanto como poesia, quanto como prosa. Acho a sua naturalidade incrível. As palavras 'rebuscadas' dão um toque especial na escrita, parecem fazer com que o leitor sinta mais, que seja mais intenso.

Smareis disse...

Fiquei sem palavras lendo seu texto, tive que sair na contra mão pra não ser lida por ele. Como alguns blogues escreve pedaço de nossas vidas.Por vezes me sinto uma estranha no meu próprio ninho,
Gostei imenso!

Beijos!

Lívia Almeida disse...

É lamentável que as melhores pessoas sofram tanto, talvez isso sirva para algo bem maior do que a nossa "vã compreensão".

Abraços, Lara.